sábado, 13 de fevereiro de 2010

Fim anunciado?


(...)

Dizem que, por volta de 1848, os barqueiros que cortavam o Rio Sena de madrugada, a trabalho, se guiavam sempre por uma luz advinda de uma pequena vela, que durante anos a fio, saía da janela de uma casinha a margem do referido rio... era um anônimo que preferia sempre o silêncio da madrugada para escrever cartas a sua amada...

(...)

O dia exato eu não sei precisar, e acho difícil quem se arrisque a dizer, mas em dado momento da História, aliás, da Pré-História, o homem, como no tal do Jogo Monopólio, avançou duas casinhas de uma só com uma única tacada. As casinhas correspondem aqui à escala evolutiva.


Passou a andar a pé e com carvão, começou a rabiscar (a sua maneira), seu cotidiano nas paredes das cavernas. Dois atos que os separaram em definitivo dos outros animais, que continuaram quadrúpedes e ágrafos.

Por isso, você que é pai/mãe, ou tem que cuidar de algum pestinha, não se zangue tanto quando seu filhote sair rabiscando a parede da sua sala com um lápis. Como vê, isso faz parte da cadeia evolutiva da humanidade!


Mas a questão que levanto aqui é a seguinte: Até que momento as crianças do século XXI, com suas mochilas mega equipadas com super notebooks, celulares de ultima geração e a mais variada gama de bugiganga eletrônica continuarão escrevendo... à mão?


É realmente de se pensar. Com um bendito notebook sempre a mão, porque “perder” tempo(?) e ocupar espaço com cadernos, lápis, lapiseiras, livros, gramáticas,dicionários...


Ou talvez seja um exagero da minha parte? Nos meus tempos de ginásio, independente de ter um micro em casa, isso não me impedia e nem me desobrigava do uso da tabuada, de uma boa régua, canetas variadas, apontador de lápis (e tudo o mis que era exigido na vida escolar). Mas só porque meu micro nunca foi portátil talvez...rs

Guttwein,T.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

You may say, I´m a crazy...


Como ele pode ser hipócrita dessa forma? Não consigo entende-lo! Nada justifica isso, absolutamente nada! Transmite ao mundo uma mensagem, mas não é isso que vejo nessa revista; Essa vida milionária que ele leva. Isso é uma traição ao idealismo e não ficará impune. Não mesmo.

Vou começar descobrindo seus horários, quando sai, quando volta, onde vai, com quem. Não haverá escapatória. Ele não merece fazer parte do grupo, é um farsante! Será que só eu, na face da terra consigo enxergar isso?

O fato é que, dessa minha vida, ninguém nunca reparou em mim, ao menos não como eu gostaria. Mas isso vai mudar. Basta cumprir essa missão que acabei de estabelecer e serei reconhecido por todos, ficarei mais do que famoso! Tanto é que, já pedi demissão do trabalho justamente para me dedicar a isso.

Tem um livro que eu sempre leio, e falo sempre, porque leio e releio com uma freqüência talvez até fora do normal, se chama O Apanhador no Campo de Centeio. É fantástico! Uma história sem igual. O tal Holden, personagem principal da história, assim como eu, não suporta falsidade e por isso me identifico tanto com ele.

É chegado o dia. Ele esta para chegar em casa. Quando atravessa a rua, logo aperto o passo, para não perde-lo de vista. Assim que me aproximo, reparo no relógio, quase 23:00hs, o edifício chamava-se Dakota. Em mãos, trago apenas meu revolver calibre 38. O vinil Double Fantasy, que ele havia autografado dias antes, resolvi deixar em casa.
Quando ele estava prestes a entrar em casa, terminando de subir as escadarias do edifício, o chamei, e agradeci o autografo dado a mim anteriormente. Ele olhou para trás e acenou, disse-me que não havia por onde.Virou de costas e seguiria seu caminho.

Seguiria, pois saquei meu revolver e desferi cinco tiros certeiros em suas costas. Hoje deixei de ser um anônimo.Cumpri meu papel.
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Mark David Chapman, assassinou John Lenon no dia 8 de Dezembro de 1980. Cumpre prisão perpétua desde então...
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Guttwein, T.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

John and his red lantern...


Responda-me sinceramente, você já é o 5° ou 8° “profissional” que vem até conversar comigo... quantos mais virão para ouvir a mesma coisa? Será que cinco ou mais conversas anteriores não bastam? Se por tantas vezes eu sempre falo a mesma coisa, qual a razão dessa insistência? Já estou preso, o que mais você quer de mim? Mas quer saber, sempre curti bater um papo e hoje estou mesmo afim de tagarelar... Até porque, "Quem não pode nada(como é o meu caso), tem mais é que se esculhambar."

...Oras, quem não quer ser famoso, desfrutar de uma vida com muito dinheiro e rodeado de mulheres? Não sou idiota cara... assumo isso com a maior naturalidade do mundo e quem negar algo parecido com isso, é hipócrita! O caso é que dei meu jeitinho peculiar... o tal do Caryl Chesmann pode não pode?! Aliás, anota isso ae na caderneta mané... Digo de boca cheia: eu também sou um boçal! Comprei uma coisinha ou outra, mas meu fraco são as boates e as mulheres...

Mas lembro-me como se fosse ontem... o 76° roubo havia sido um sucesso total. Tal foi minha empolgação, logo migrei para o 77°. Subi a serra do mar e vim para São Paulo aprontar das minhas. Aterrorizar os porcos fardados da capital. Aquela mansão era formidável! E facílima de invadir, como sempre. Sequer levei minhas luvas, de tão confiante que estava. Seis anos na atividade e sequer suspeitas de quem andava assaltando os ricaços... Uma proeza digna de orgulho não é mesmo?

Ora, o lenço no rosto era uma coisa óbvia, não ser identificado. A lanterna com o bocal vermelho era uma preferência... nada em especial. Fugir do corriqueiro eu diria. E se o Caryl Chesmann podia, eu também podia!. E imagine comigo. Três horas da matina, você entra numa casa, corta a luz dela, armado... tem fator surpresa maior que esse? Você pega até o cachorro desprevenido! E assim eu agia.

O pulo do gato... vai ser confiante lá na casa do chapéu. To puxando 29 anos já. Nesse estilo de vida, a confiança te mata, ou te manda pro xadrez. Tudo por causa de uma maldita impressão digital que deixei na janela daquela mansão. Graças a Deus saio esse ano. Trinta anos é o limite aqui no Brasil... os outros 330 anos ficam pra conta do Estado! Não sou egoísta ao ponto de querer cumprir tudo a rigor... 30 anos para mim bastam! rs...¬¬ Imagine só, uma pena de 351 anos!!
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Após apenas quatro meses e vinte dias em liberdade João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha foi assassinado com um tiro de espingarda no dia 5 de janeiro de 1998, durante uma briga com um suposto pescador na cidade de Joinville, Santa Catarina.
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Guttwein, T.


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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Limiar...


Pelas suas contas, já deve ser o 8° cigarro na seqüência que ele acende. Prefere não olhar para o cinzeiro para não se espantar ou sentir aquele remorso barato e mesquinho de quem a tempos, promete a si próprio parar com esse vício maldito.As coisas de fato não vão bem. Ao menos no seu córtex.

Quando passam por ele e fazem aquela pergunta nefasta “Tudo bem com você?” ele consegue, com o rosto mais lavado do cosmos sorrir e aparentar. Deveria ter cursado artes cênicas. Já é mais do que escolado. A arte do “aparentemente tudo ÓTIMO”.

Afinal, quem começou com essa gentileza fajuta de “Tudo bem com você?”. Como se alguém, após ouvir isso, parece em plena rua e começasse a contar seus lamentos e o dia péssimo que teve. Será que alguém realmente se importa conosco quando pergunta isso, ou é como a típica conversa de elevador? Fala-se algo apenas por falar, pra ver se o tempo passa e nosso destino chega...

Sua mulher já não o entende, esse comportamento de transtorno bi-polar ou o que valha, e já deve pensar, com certa propriedade, que existe uma outra pessoa entre eles. Justo da parte dela. Mas não exato com a realidade.Tem certas coisas que não se pode explicar. Essa tristeza sem fundamento que as vezes o consome... tanta gente passando fome, ou no hospital com uma doença terminal, gente sem ter onde morar... mas a tristeza isolatória, aparentemente sem fundamento, insiste mesmo assim.Parece aço de tão intransponível.

Mas hoje ele estava decidido. Poria um fim a tudo isso. Não ao vício, não a hipocrisia barata dos cumprimentos, não a tristeza. Poria definitivamente um ponto final...na vida. Enquanto fumava mais um cigarro, olhava pela janela e tinha por sobre uma bancada, uma faca e uma arma. Refletia no que seria mais honroso. Caso caiba honra num caso assim. Morrer tipo um samurai, só que em menores proporções de dignidade, e com menos pompa, ou como um executivo da bolsa de valores que perdeu tudo... com um balaço na cabeça?

Como parou pra refletir sobre, pensou também na sua mãe, que teve uma trajetória tão complexa para que ele, mesmo nessa situação, estive ali, estivesse vivo. Ela não agüentaria mais esse tranco. Posterior, lembrou de sua mulher, e da promessa da casa com jardim, belos quadros e animais, que ele lhe havia feito. Pôs-se a chorar, como a nunca havia feito. Havia chegado tão perto do limiar do Valhalla. Acabou lembrando também,que para adentrar ao Valhalla, covardes que terminam assim não chegam nem perto...

Guttwein, T.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lá e cá...


Anteriormente, a pressa não fazia parte do meu cotidiano. E por incrível que pareça, mesmo estagnado, pois é essa a impressão que passo, ando sempre com uma pressa danada. Uma ótima ilusão eu diria... Uma representação e tanto. Fato é que a chuva aqui nessa cidade não tem dado trégua, porém, nem por isso sou pego desprovido do bom e velho guarda chuva. Claro que contra esse sol imbatível que tem assolado São Paulo, prova-se muito bem vindo também. Meu fiel amigo durante toda essa jornada... Ele e minha inseparável maleta.

Quem passa por mim, costuma passar sempre correndo, e por isso, aparentemente também está apressado, mas porque, eu já não sei. Uma paisagem tão bonita como essa... pra que a pressa? Respire fundo, aproveite mais eu tento dizer... mas ninguém parece me ouvir... Também, depois da chegada do Ipod, quem dá atenção para um "alheio" ? Muitos aqui pedem para tirar uma foto ao meu lado, não sou esnobe nem nada, mas assumo que isso vez em nunca acaba me deixando com um certo ar de superstar, de famoso, entendem? Mas conversar que é bom... nada!

Acabo sabendo das coisas mesmo é na base da "orelhada". Não sou bisbilhoteiro, longe disso, mas se não for assim, acabo ficando desenformado sobre tudo que acontece por ai. Sou meio desprovido de mobilidade, mesmo aparentando o contrário, sabe...

Por exemplo, soube que meu grandessíssimo amigo Drummond de Andrade, foi assaltado por mais uma vez lá no Rio de Janeiro! O terrinha sem dono! Sequer um ícone como Drummond escapa da ação dos meliantes? Roubar óculos? O fim da picada, definitivamente...

Mas São Paulo não fica atrás no quesito marginalidade. Durante a noite, e por mais de uma vez, minha maleta TAMBÉM já foi roubada. Não é à toa que na foto, procuro não deixá-la tão em evidência...vai que tem algum larápio de olho...

Acho que é assim mesmo, vândalo parece não fazer muita distinção. A oportunidade acaba fazendo o ladrão... não é esse o ditado? Continuarei aqui, no Parque do Povo, a representar o Homem Paulista... sempre correndo, sempre atarefado, independente das condições climáticas do Estado... que cá entre nós, estão cada vez piores...

Guttwein, T.

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