Algumas crônicas e textos de nossa autoria sobre o nosso cotidiano... muito mais do que simples textos ; até porque, "a estrada (do conhecimento) vai além do que se vê"...
Sem dúvida, trata-te de um desafio às mulheres. Ainda mais por se tratar de uma profissão onde os homens dominam desde os primórdios... Refiro-me à mecânica de automóveis!
Falo sobre, porque fui a uma oficina mecânica com um amigo, na zona leste de São Paulo, e lá chegando, reparamos que o responsável pelos ajustes, era uma mulher. Aliás, ela era a dona da oficina! Renomada por sinal (o nome do estabelecimento não vem ao caso...)
Acho que ainda não foi pesquisado a fundo, estatísticas que apontem quantas são as guerreiras que se aventuram por esse ramo profissional, mas o que reparo pelas minhas andanças, é que elas estão cada vez mais presentes nesse meio. Atuantes, com a mão na graxa, e não como contratantes do serviço! Aliás, existe até curso específico para elas nesse ramo...
Ainda na oficina mecânica, conversando com a responsável, ela nos contou certas situações, quase todas, envolvendo uma espécie de preconceito da parte dos homens. Um descrédito e uma falta de confiança sem igual.
Ela nos contou, por exemplo...“Um homem entrou pedindo informações e quando eu respondi, ele me ignorou e foi até o mecânico que estava trabalhando, então eu entrei no meio da conversa. Ele ficou bravo e foi embora, mas no dia seguinte voltou com o carro para a oficina”.
Olha, vou ser sincero, até eu fiquei um pouco receoso quando notei que seria uma mulher que mexeria no carro. Mas assim que ela nos atendeu, se restava algum receio, ele caiu por terra! Um tratamento sem igual!
Tinha embasamento/conhecimento a tudo que se referia! Pô, mulher sabe conversar, tem paciência, é mais atenciosa... é outro atendimento!
Vejo como uma profissão qualquer. Estudaram para isso e garanto que tem capacidade para ser melhor que muito mecânico “machão” por ae...
E você, que acha que lugar de mulher é dentro de casa, “pilotando fogão” apenas, acho bom rever alguns conceitos. A mulherada está cada vez mais inserida no mercado de trabalho, em inúmeros ramos de atuação, e esse é só um pequeno exemplo.
Você homem “machão”, que não trate de estudar cada vez mais não para ver o futuro que te espera! Ela é mecânica formada, dona do seu estabelecimento, e está estudando engenharia automotiva! Rsrs...
Bem verdade que, o visual agride um pouco os olhos... ela não usava esmalte nas unhas, e uma maquiagem quase que imperceptível, mas as fotos na parede, ao lado do marido, não escondiam a beleza estonteante que ela apresenta em sua vida particular, longe do seu macacão e da mão com graxa...
A vocês mulheres, meu humilde parabéns! Cada vez mais independentes e quebrando paradigmas de uma sociedade machista e que adora rotular!
A temática do texto são as mulheres, aliás, a violência sofrida por elas; e de princípio, lhes digo que a violência doméstica, ocasionada pelo parceiro, ou até mesmo um ex, seja ela, – física, psicológica, sexual e patrimonial – é mais comum do que se imagina. Pesquisas sugerem que cerca de 25% da população feminina mundial(!) foi, é ou será vítima ao menos uma vez na vida.
Infelizmente, a vida dos anônimos continuará sendo anônima... Os casos que chegam e ganham ênfase na mídia, são os ocorridos com "famosos" – Dado Dolabella agrediu a ex-namorada Luana Piovani; o rapper Chris Brown bateu na namorada, a cantora Rihanna; o jornalista Antônio Pimenta Neves matou a ex-namorada Sandra Gomide; Lindemberg Alves matou a namorada de 15 anos Eloá Pimentel... e por ai segue. Escândalos assim correm o mundo, mas a imensa maioria das ocorrências desse tipo permanece oculta. Estima-se que apenas 1/3 das vítimas procure ajuda. As razões são diversas: medo, vergonha, dependência financeira ou emocional, descrença na Justiça.
Valéria Pandjiarjian, do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher diz – "Admitir que o homem que você ama ou acredita amar é aquele que te faz mal é muito difícil. Dar um basta e assumir que você não vai conseguir transformar a relação em que apostou é uma grande derrota pessoal e emocional".
Notei lendo diversas matérias que, mesmo quando a mulher vai a delegacia, denunciar o "parceiro", por uma, duas, quatro vezes(!), demora-se, talvez por descaso ou despreparo, de enquadrar o agressor diretamente na Lei Maria da Penha, que dentre penas alternativas, ou cárcere, proíbe o denunciado de se aproximar da acusadora. Talvez, falte a polícia a capacidade de avaliar o real risco a que a mulher está exposta.
Vejam vocês, nos tempos de meus antepassados Portugueses, Brasil/Colônia, a lei Portuguesa vigente permitia que o homem matasse a mulher adúltera e o amante. Em 1890, o Código Penal não considerava crime o homicídio praticado sob um estado de "total perturbação dos sentidos e da inteligência"
Enquanto é na rua que a população masculina corre mais risco de agressão e assassinato, a feminina está mais vulnerável dentro de casa. As mulheres na faixa dos 15 aos 44 anos são as principais vítimas da violência doméstica. E quanto mais jovem, maior a dificuldade da mulher para lidar com esse problema, rincipalmente quando a diferença de idade entre o casal é grande.
Os chamados crimes passionais repercutem no Brasil (e no mundo) há séculos. Sob a alegação de legítima defesa da honra ou de amor excessivo e ciúmes incontrolável, os homens seguem matando.
Cabe a cada um fazer sua parte, as mulheres, conhecerem melhor as leis que as beneficiam, que foram criadas para sua defesa... e nesse caso, aliás, o único caso, é que sou a favor de meter a colher no meio! Diz o ditado que, "em briga de marido e mulher, não se mete a colher" – Mas... mete-se a colher, ou leva-se um caixão? O que é preferível?