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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Privacidade? Na internet?


Você usa internet; seus dados estão online; então, teoricamente, eles parecem privados, seguros...

Interessante: seu email privativo, só você tem acesso. Correto? Bom, você e o seu provedor. Ah, e o provedor dos seus remetentes. Puts, e qualquer provedor das principais conexões de internet que por acaso acompanhe o percurso desse email do remetente até você.

Curto e grosso: Você trabalha numa empresa e lá você tem acesso ao seu email privativo? Por Odin (!), a sua empresa tem acesso a ele(!) Mas fique "tranqüilo", não só a sua empresa, mas se for da vontade deles, até a NSA – Agência Nacional de Segurança pode ter acesso, como qualquer outro órgão de inteligência do governo norte-americano também! Como? Instalando simplórios mecanismos de rastreamento em pontos estratégicos... ¬¬

Suponho que você use o Google Docs ou um simples webmail. Mas os seus dados online não estão sob seu controle. Você confia no mecanismo de segurança do Google, mas... eu não sei o que ele é e como funciona... você sabe?!

Engraçado, há 30, 20 anos atrás, se alguém quisesse bisbilhotar suas cartas, teria de invadir sua casa. Assaltar o carteiro, não sei... Hoje, invade-se um servidor localizado sabe-se lá onde e descobre-se o que quiser sobre quem quiser. Muito mais prático!

É dado (de informação) seu circulando na net que não termina mais. Já se perguntou como aquela empresa de telemarketing descobriu seu telefone pra te oferecer algo inútil em pleno "horário nobre"? rs... Listas de livros que você compra, livros que você simplesmente deu uma olhada, estão lá, armazenados nos computadores das livrarias online.

Outrora, conversava-se pessoalmente e só. Era isso ou via telefone. Hoje em dia sequer o telefone é utilizado com tanta freqüência... bate-papo eletrônico, troca de mensagens de texto por celular, ou uma conversa no Facebook, Orkut, Twitter... enfim!

E para aqueles que ainda crêem no anonimato da internet para fazer besteira, como caluniar, difamar ou roubar dados... bem, se a polícia quiser ler um email no seu computador pessoal, ela precisa de um mandato. MAS, isso não será preciso se o email for lido a partir dos arquivos de backup localizados em seu provedor! Rsrs... ora, ora, como você acha que tanta pseudo-quadrilha vem caindo por terra na mão da Polícia Federal?

Chego à conclusão que estamos de mãos atadas quando se trata da segurança de nossos dados surfando pela rede. Que escolha temos além de termos de confiar nessas empresas prestadoras de serviço?

Guttwein, T.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Culpado X Inocente, quem é o que?

Não é novidade pra ninguém o caso policial ocorrido no Paraná, mais precisamente no Morro do Boi, do casal Monik Pegorari de Lima e Osíris Del Corso. O crime aconteceu em 31 de janeiro último, no qual Osíris levou um tiro e morreu tentando defender a namorada. Ela, por sua vez, foi baleada e estuprada.

Em 17 de fevereiro, Juarez Ferreira Pinto foi preso após ser reconhecido por Monik. No dia 30 de junho, o caso policial volta a ser notícia em clima de "reviravolta". Paulo Delci Unfried foi preso após invadir uma casa e violentar uma mulher, assumindo também a autoria do crime do Morro do Boi. Com ele foram encontradas duas armas, um revólver calibre 38 e uma garrucha calibre 22. A polícia realizou um exame de balística e comprovou que o tiro que matou o estudante partiu da arma apreendida com ele.

A defesa de Juarez imediatamente pede sua libertação. A jovem mantém seu reconhecimento, dizendo que jamais se enganaria a respeito de um homem que a violentou sexualmente e matou seu namorado. O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, responsável pelas investigações, afirma que o reconhecimento seguiu todos os padrões exigidos pelo código de processo penal.

Diante dos fatos expostos, muito se especula sobre a real autoria desse crime. Estou aqui, não com o papel de advogada de um ou de outro, mas sim como uma profissional do Judiciário brasileiro, para alertar de como o sistema penal no Brasil deixa a desejar em muitos aspectos. O despreparo de todos os setores envolvidos é grande, abrindo deixas para que a imprensa "saboreie" o fato de haverem dois culpados para um mesmo crime. Os veículos de comunicação deitam e rolam com a possibilidade de trazerem à tona novamente mais e mais polêmica.

E vejam que ironia é o sistema penal: em alguns casos, não há nenhum suspeito. Em outros, temos dois suspeitos, sem saber qual é o verdadeiro. O que vale mais? Um suspeito reconhecido pela vítima ou uma prova material? Um homem reconhecido de perto por uma vítima traumatizada ou um homem que assume o crime 5 meses depois do ocorrido, aparentemente sem nenhuma vantagem?

Enfim, fico me perguntando... se esses fatos realmente permanecerem até o fim do processo, sem que surjam novas provas, como fica a responsabilidade de todos envolvidos nessa investigação? Investigadores, peritos, advogados, criminosos e vítimas. Até que ponto cada um deles é responsável pelo futuro dos supostos criminosos, pela paz da vítima sobrevivente? Imaginem a situação de um juiz que tem que julgar a liberdade de Juarez, com base em tanta confusão! Ele está entre soltar um criminoso cruel e aprisionar um inocente.

Por que Paulo Unfried se entregaria agora por um crime que já possui assassino confirmado? Uma simples crise de consciência ou uma grande vantagem oferecida em troca? O fato de o irmão de Juarez ser policial civil interfere nesse caso (já que ele é acusado de "plantar" a arma do crime)? Monik reconheceria perante todo o Brasil que estava errada sobre seu agressor se assim o fosse?

Por ora, muitas perguntas sem nenhuma resposta! O que quero explanar é que, de fato, o sistema penal no Brasil abre muito espaço para falhas. Cada vez mais, temos uma polícia mal treinada; advogados lançados no mercado sem ao menos saber escrever corretamente, sem saber interpretar a lei; cargos de promotoria e magistratura sendo exercidos por irresponsáveis que só pensam em status e dinheiro, chegando lá pelo famoso "Q.I."; uma lei ultrapassada, precisando urgente de uma reforma justa e eficiente... tantos erros... que quando paro pra pensar, entendo porque me formei em Direito e resolvi não exercer esse personagem no meu dia a dia!

Sinceramente, eu não tenho uma opinião formada sobre o "caso Monik e Osíris", não saberia dizer quem é o criminoso. Não saberia ser juiz de um caso como este... mas espero que tudo se resolva da melhor forma, sem que ninguém saia mais prejudicado do que realmente merece! Culpado ou inocente... que se faça a tão clamada JUSTIÇA!!!

Ariane Aleixo