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domingo, 6 de dezembro de 2009

Por que não cheira bem?



Essa é profunda e vale a reflexão, porém, só após uma leitura completa, dê-nos seu ponto de vista: até que ponto o ser humano pode evoluir imerso em cultura? Óbvio, muitíssimo, vocês vão me dizer. Mas há zonas sombrias e ambíguas nisso tudo...

Hannibal Lecter é meu ponto de partida para um devaneio que gostaria de compartilhar com vocês. Um personagem absurdamente culto e inteligente, porém, um assassino sem limites e sem igual.

Acho que nunca vi um personagem com tamanho requinte como esse. Admira a cozinha de alto padrão, crítico de música erudita (sinfônica) e por ai afora.

Reparo que, ao menos no cinema, em inúmeras literaturas, e até no teatro, se um personagem é culto, é porque ele revelar-se-á (em algum momento) como um desequilibrado, como um ser perverso com tendências sórdidas, com algum impulso reprimido para o assassinato em série... porque cultura parece não cheirar bem!?

Muita gente por sinal, teme a cultura para seus filhos homens. O menino normal/sadio, na cabeça de certos pais, deve mesmo é jogar bola e correr atrás de uma pipa, e não ficar lendo um livro, ouvindo ópera ou indo à exposições de arte. É um péssimo sinal para tais pais, quando isso acontece...

Agora, não sei configurar se isso é um problema individual do "brasileiro médio" (da concepção desses pais apenas), se é um problema de criação que já vem enraizado desde a infância e que é passado geração após geração, ou se devemos caminhar pro lado da psicanálise...

Mas uma coisa eu posso lhes afirmar com absoluta certeza: quando falarmos em Cultura, qualquer comodismo e tranquilidade confiante, vai desconfigura-lá. Cultura "meins kamerads", deve ser amiga da dúvida e inquieta por natureza. Incerteza, mobilidade, instabilidade, complexibilidade e oscilação... simples assim!
Guttwein, T.