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sábado, 12 de setembro de 2009

União (Ins)Estável ...


Observando muitos casais amigos meus, e claro, inclusive meu relacionamento, cheguei a conclusão do porque é interessante casar: - Oras, a quem mais, se não o nosso par, vamos atribuir culpa de boa parte de nossas covardias e impotências? Assuma, fica menos feio...


O homem jogará a culpa na mulher, filhos e no casamento, por ter desistido de ser aquele aventureiro cinematográfico. Fato. Porém, a acusação velada torna-se menos decepcionante para si mesmo quando diz:


- “Eu posso não ter coragem, mas só porque você é meu maior impedimento para alcançar tal coisa”


Bom, nós homens somos quase sempre assombrados por incríveis devaneios de grandeza – sabem, talvez culpa de nossas mães, que nos dizem que um destino inalcançável e extraordinário praticamente já esta traçado para nós... Assim sendo, torna-se cômodo, de tão óbvio, alegar que a mulher com quem casamos ou vamos casar, foi nosso impedimento para tantas (e imaginárias) realizações.


MAS, não são só nós, homens, recriminamos disfarçadamente nossos fracassos...


As mulheres também sonham, não poderia ser diferente... Há, a dona de casa que “acusa” o marido, o casamento e os filhos por elas terem renunciado a tudo em nome deles (uma vida profissional melhor, por exemplo), essa, que teria dado a ela uma fonte maior de alegrias. E claro, há, sobre tudo, o eterno sonho romântico de amor avassalador, incomparável, irresistível, do qual, justamente, elas desistem por causa do marido, casamento e dos filhos.


Felizmente, esse eterno fogo cruzado não é a causa maior para gerar divórcios... pelo contrário, é o que acaba fazendo a força do casamento (por incrível que pareça), porque, por detrás das “acusações veladas” do tipo:

- “É por sua causa que deixei de realizar meus planos”

Deve-se ler:

-“Ainda bem que você está aqui do meu lado , fornecendo-me assim uma desculpa – sem você, eu teria de encarar a verdade, e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos ”.


No geral, casamos com a pessoa “certa”: aquela que podemos (inconscientemente ou não) culpar por nossos fracassos. E essa, repito, não é uma razão para separar-se. Ao contrário, é uma ótima razão para ficar juntos!

Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e devaneios teriam sido frustrados “por causa do outro”, mas pelas “cobranças”, que, elas sim, acabam se revelando insuportáveis.

Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da medonha constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma voz que confirma minha insuficiência.


À cobrança dos sonhos dos quais desisti, mais a cobrança de quem é (ou foi) “causa” da minha desistência e razão do meu sacrifício finalizam em: Não presto, nunca, para mulher alguma – nem para minha mãe que queria que eu fosse herói nem para minha namorada/esposa para quem renunciei de ser herói. E ai, a corda arrebenta...

E prova-se difícil, aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e, nada mais. É o justo. Mas é difícil...

Guttwein, T.