
Todos os dias antes de dormir, os pensamentos lhe vêm à cabeça como um furacão de imagens... São tantas e tantas coisas. Se sente confusa, perdida. - Por que não consigo fazer dar certo? - A impaciência é grande dentro de si. Tudo está ali: o início, bons momentos, conquista, felicidade. Quando ELE chegou, a encantou. Mudou sua vida como jamais esperava, a tratava de modo incomparável, o olhar era algo indescritível, o toque sensível era único. Ela estava completa e não precisava de mais nada. - Ele é tudo que sonhei!
Rapidamente se tornaram UM. AMOR, simplesmente não era suficiente para defini-los.
Como se quisesse urgentemente fazer parar de doer, abriu os olhos. E era ela novamente ali, no quarto, sozinha. O sono já não lhe queria fazer companhia há algum tempo. O coração parecia implorar por um batimento, mas o que teve foi um impulso incontrolável que, de dentro pra fora, num piscar longo de olhos, fez escorrer por seu rosto a dor...
De uns meses pra cá, aquele outro alguém insistia em lhe confortar. Na cama, passava todas as noites ao seu lado. Quase sem querer, tomou o lugar DELE. Se tornou totalmente presente em sua vida. Se sentia tão só, que involuntariamente arranjou alguém pra passar os dias.
Em seus pensamentos, jamais desejava esquecê-lo. Mas a solidão a deixou vulnerável, abriu espaço para que outro alguém entrasse. Ela acabou se acostumando. Seu dia era corrido, mas de noite, quando se deitava, havia uma briga entre eles. Um estava em seu coração, outro estava ali, ao lado. Tudo a deixava tão confusa, pensava nesse tipo de "traição". Sua única vontade era inverter os papéis. - Era ele quem deveria estar aqui... - suspirava.
Pensava se tinha errado. Tentava encontrar explicações. Tudo era tão perfeito, mas os acontecimentos da vida os afastaram, "minaram" o amor. Questionava se ELE também tinha um outro alguém, como ela. Preferia não pensar na resposta.
Os segundos rompiam pela madrugada. Achou melhor tomar o remédio, pois tinha que tentar ter o mínimo de sono. Tomou, ajeitou o travesseiro, tomando cuidado com o outro alguém. Agora que o remédio começava a fazer efeito, não queria acordá-lo, seria pior. Permanecia com a certeza de que ficaria com ELE, algum dia... ELE era o amor da sua vida. Era preciso ter paciência.
Enquanto isso se conformaria em ficar assim. Sabia que não tinha feito por maldade tê-lo trocado. Seu raciocínio já estava lento, e o sono chegava de leve...
Dormiu confusa, pensando em porque tinha arranjado
outro alguém chamado
"Saudade"...
Ariane Aleixo

Nossas postagens via FEED no seu email gratuitamente!