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Ariane Aleixo

Ariane Aleixo
Há tempos não surge uma novidade assim para abalar o Partenon, toda a Grécia está num alvoroço só, imaginem vocês. O assunto é uma nova tecnologia, que até onde se sabe, vai inovar a forma como lemos.
Para aqueles que estão alheios a tudo isso, devido as guerras em prol da expansão do Império, tento explicar... Basicamente é algo parecido a uma tábua, retangular, do tamanho de um tijolo, que embora seja fino, andam a chamar de "livro". E pasme, a novidade é tão estarrecedora, que já falam pelas vielas da Acrópole que o papiro está com seus dias contados!
O que vem para diferenciá-lo, é que, até o momento, nosso bom e velho rolo onde escrevemos, muito eficaz e precioso por sinal – 1000 anos de utilização ao menos não é para qualquer um – o tal "livro" separa a escrita em dezenas, centenas de retângulos de papel. Para ir de um parágrafo a outro, quando se chega ao fim da tal "página", é preciso virá-la e recomeçar a ler lá em cima, o que segundo alguns estudiosos (e céticos quanto a novidades), atrapalha o raciocínio, a compreensão e a leitura.
Quem já possui o tal "livro", afirma que sua maior vantagem e relação aos nossos papiros/pergaminhos está na sua praticidade. Enquanto um papiro só pode ter no máximo 10 metros de informação escrita, o "livro" guarda centenas de "páginas", o que corresponde a centenas de pergaminhos/papiros.
Às vezes, informação demais atrapalha, devo ser retrógrado ou algo assim. Mas ainda assim, estou tendenciosamente interessado nessa "novidade". Mas esses bárbaros, amantes da tecnologia, parece que nunca vivenciaram, (ou já se esqueceram pelo visto) do prazer pela busca em uma prateleira por um pergaminho específico e na busca por algo, encontrar outra leitura ainda mais interessante, há muito esquecido, porém, muito valioso culturalmente falando.
Em suma, ouçam o que eu digo: Passou-se mais de um milênio e o pergaminho sempre foi nossa principal fonte de consulta e de registro. Acho improvável que este tal "livro", essa invencionice moderna faça o pergaminho cair em desuso... Esses novidadeiros... Quem acredita nesses devaneios? Deixe-me voltar pro meu rolo de pergaminho que eu ganho é mais...
Guttwein,T.