segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fique tranquilo quanto à Gripe Suína!


A imprensa brasileira segue o ritmo ditado pela internacional, com as notícias sobre a epidemia de gripe suína. E já começa a falar sobre a possibilidade de o vírus H1N1 causar uma pandemia, relembrando obviamente os 40 milhões de mortes causados pela Gripe Espanhola em 1918-1919, e a listar um conjunto de sintomas iniciais que, obviamente, lembram bastante o de uma gripe comum.

Não dá outra: pessoas em pânico lotando desnecessariamente postos de saúde, uma corrida desnecessária às vacinas... gente estocando remédios (claro que, tudo ineficaz)... e não duvido nada de que, daqui a poucos dias, verei fotos de “gente com informação privilegiada ¬¬” andando pela Paulista de máscara cirúrgica no rosto, gente assim nos ônibus, baseados é claro, na onda de terror causada pelo pré-conhecimento, proporcionado pela imprensa em geral.

Por outro lado, caso este vírus chegue mesmo por estes lados, a presença de casos das gripes comuns certamente vai causar preocupação nos pacientes e familiares, o que acaba se traduzindo mesmo na ida (provavelmente desnecessária) ao posto de saúde, o que congestiona o sistema e atrapalha o processamento dos casos reais, que podem ser difíceis de identificar - quem vai querer esperar o desenvolvimento do quadro clínico de seu filho antes de levá-lo ao atendimento? - e assim as filas nos postos de atendimento crescem naturalmente.

Por esta razão, a recomendação divulgada desde a noite de domingo para que os brasileiros tomem medidas preventivas contra a gripe em geral faz sentido de duas maneiras diferentes: as medidas, quando possíveis, também ajudam a prevenir a gripe suína, e, além disso, reduzem este efeito do “falso positivo” gerado por casos de gripes comuns.

E as medidas preventivas “genéricas” divulgadas pelo CDC (o órgão dos EUA responsável por prevenir e combater epidemias, entre outras atribuições) contra a gripe suína são bastante acessíveis.

Entrei no site do CDC (http://www.cdc.gov/swineflu/) e traduzi as 5 precauções listadas por eles:

1. Cobrir nariz e boca com um lenço descartável ao tossir e espirrar, jogando o lenço numa lixeira em seguida.
2. Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, ou com produto de limpeza à base de álcool.
3. Evite tocar seus olhos, nariz e boca (especialmente após tocar em maçanetas, corrimões, etc.).
4. Evite contato com pessoas infectadas, pois o vírus é transmitido de pessoa para pessoa.
5. Se você ficar doente, fique em casa, não vá ao trabalho ou à escola.

A recomedação n° 5 vale um adendo: Lá no México, onde o número de casos é o maior registrado até agora, aulas no geral foram suspensas até 06/05 para eliminar as oportunidades de contágio no transporte público e nas próprias escolas. Atualmente, por lá, ir ao trabalho com sintomas de gripe, é colocar em sério risco todos os colegas, parceiros e clientes.

Já aqui em terras Tupiniquins, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa muitíssimo claro, que não há motivo para pânico , e que o país está preparado para lidar com o vírus - e que apenas pessoas que viajaram para as áreas afetadas, ou tiveram contato com quem viajou, devem procurar atendimento médico especial caso desenvolvam sintomas de gripe.

Vale conhecer, entretanto, as medidas de prevenção individual que estão sendo recomendadas nos meios de comunicação do México - especialmente para evitar que você se antecipe de forma errada, estocando remédios ou tomando vacinas ineficazes. As precauções recomendadas aos mexicanos (onde há razões mais concretas para se prevenir) são:
  1. Usar máscaras que cubram o nariz e a boca ao sair à rua.
  2. Não propagar o pânico, nem exagerar as indicações das autoridades, pois são medidas preventivas.
  3. Não cumprimentar com apertos de mão, abraços ou beijos, em especial na presença de pessoas infectadas.
  4. Não se dirigir aos centros de saúde exceto quando estritamente necessário.
  5. Lavar as mãos com sabonete ou gel antisséptico com frequência.
  6. Manter-se afastado das multidões, incluindo concertos, parques e teatros.
  7. Não fumar, ou reduzir o fumo, para ajudar a prevenir doenças respiratórias.
  8. Comer frutas ou alimentos ricos em vitamina C para aumentar as defesas do organismo.
  9. Manter as janelas abertas e permitir a ventilação dos locais de trabalho e atividade.
  10. Lavar bem os talheres e utensílios, e evitar compartilhá-los.
  11. Postergar reuniões e encontros sociais.
  12. Evitar exercícios ao ar livre ou em centros esportivos muito frequentados.
  13. Estar atento a alertas disseminados pelos meios de comunicação.
Coloquei a segunda delas em negrito, porque não falta quem encontre explicações religiosas ou conspiracionais (“tá na cara que é coisa do Osama” e coisas assim) para este tipo de situação, e este tipo de comportamento pode piorar a situação ao aumentar demandas, baixar o moral ou mesmo reduzir a credibilidade dos alertas e recomendações oficiais.
Guttwein, T.

sábado, 25 de abril de 2009

Bolachão insubstituível!


Praticamente um ritual, um prazer incomensurável para quem aprecia... tirar o disco preto da enorme e trabalhada capa. Visualmente, selecionar a faixa que se quer escutar, pousar cuidadosamente a agulha para que ela, desbrave, explore cada sulco da superfície da “bolacha musical”.

Sou da opinião, que não há CD no mundo que substitua o som, o prazer de ouvir algo através do vinil. Seja por saudosismo, teimosia, ou pelo simples fato de colecionar... sem questionamentos por favor!.


O fato é que não vou tolerar desculpas como “pouco prático”, ou “trabalhoso demais”, para os prováveis novos adeptos não correrem atrás e se adequarem ao vinil.

Utilidade Pública.


Quem mora em Sampa, provavelmente já ouviu falar desses lugares:

Sebo do Messias; localizado no centrão, que vende não só vinis, mas também toca-discos usados. Os aparelhos são populares, e os valores variam de R$ 120 à R$ 450, dependendo da marca e do modelo. Uma vitrola antiga que toca discos de 78 rotações, por exemplo, custa em média R$ 150. Mas, se você já entende do assunto, e preferir aparelhos “mais sofisticados”, capazes de reproduzir sons de alta fidelidade, é nas lojas da Rua Santa Ifigênia e arredores que você vai encontrar essas opções, além de uma variedade de agulhas e cápsulas – itens que o Sebo do Messias não vende.

A Casa do Toca-Discos, na Rua Santa Ifigênia, por exemplo, oferece aparelhos que variam de R$ 250 até R$ 2.900. Todos novos, importados e repletos de recursos. Sei que lá vende um toca-discos dinamarquês, capaz de tocar nas rotações 33, 45 e 78 (a maioria dos aparelhos só toca 33 e 45), com capacidade de alta reprodução de som e suporte para dois tipos de cabeça – universal ou em “s”. O preço, OBVIAMENTE, é salgado – R$ 2.200.

Na Rua dos Andradas, paralela à Santa Ifigênia, também há outras lojas de toca-discos. Uma delas é a DJ Mix, que vende aparelhos e agulhas, mas usados. A variedade de modelos e preços também é grande - um toca-discos pode custar de R$ 300 até R$ 2.000.

Minha opinião singela porém honesta: Quem quer começar a se identificar com o som do vinil, compre a princípio, um toca-discos mais simples, mas nem por isso ruim... um Gradiente por exemplo, à venda por 400 pilas. Não é tão caro e sua possível manutenção e manuseio são bem simples.

De resto, bom proveito com horas e horas de um som de qualidade superior a qualquer mp3, mp9, mp200!! ¬¬°. Você não vai se arrepender!.
Guttwein, T.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

UM BRINDE!!! Aos advogados-cidadãos!!!


UM BRINDE!!! A quê??? Não, não... a quem. Um brinde a mim e aos meus amigos (e só os amigos mesmo, do coração) de faculdade que cumpriram seu papel! Sim senhores, eis que são lançados no mercado mais uma leva de advogados (as). Mas, nós não somos iguais, e não somos arrogantes... porém, peço licença aos profissionais das outras áreas pra podermos nos vangloriar. E dizer com imenso orgulho: “Sou formada em Direito!”.

Apesar de eu não trabalhar na área, e ter me decepcionado muito com o mundo jurídico ao longo da minha faculdade, sinto orgulho do meu esforço, do meu estudo, dos conhecimentos que adquiri e o principal, de ser uma profunda conhecedora das leis desse país. E afirmo: Direito deveria ser um curso obrigatório! Sim, porque adoramos reclamar do Brasil, criticar as pessoas, os políticos, a miséria... e o que fazemos? Nós, cidadãos que somos, onde está nossa parcela de culpa? Para muitos é assim, o governo que se vire e pronto!

Muito do que o Brasil é hoje, é uma conseqüência das atitudes de cada um de nós. E vejo isso em pequenos gestos. Se compramos um produto com defeito, preferimos aceitar ao invés de processar o fornecedor. Se nossos utensílios domésticos queimam numa tempestade, jamais cogitamos a hipótese de responsabilizar juridicamente a companhia responsável pelo fornecimento de luz. Se o mecânico nos engana superfaturando no valor das peças, simplesmente pagamos por não entender do assunto. E outros milhões de casos que poderiam exemplificar a pacificidade dos cidadãos diante das coisas erradas.

É minha gente, a justiça está aí, as leis também! E ao contrário do que muitos pensam, ela não é ineficaz (claro, há sim reformas a serem feitas), mas temos leis poderosas e eficazes, como o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente e outras, apenas esperando que os cidadãos as utilizem como instrumento de justiça! E pra provar lhes digo: somente nesse semestre de 2008, minha mãe foi vencedora de 4 processos judiciais e eu estou prestes a vencer o terceiro. Ou seja, só aí temos 7 causas ganhas, sendo todas decididas no Juizado Especial Cível, no qual não é necessário ser representado por um advogado. Inclusive, minha mãe foi citada em uma matéria no Jornal da Tarde de São Paulo como exemplo de cidadã que busca seus direitos e faz com que as leis sejam cumpridas. E ainda tenho que escutar da minha gerente no trabalho: “mas que vergonha, sair no jornal por processar todo mundo”. Só coube a mim uma resposta, que serviu pra ela e serve também aos pacíficos de plantão: “vergonha é baixar a cabeça e aceitar o que está errado, estamos recorrendo aos NOSSOS direitos. Se tem alguém que deve sentir vergonha aqui, são os que enganam o consumidor!”.

Tudo isso pra dizer do orgulho que tenho em ter chegado até aqui. Homenagear os profissionais honestos, servidores da justiça. Os que carregam consigo a carteirinha vermelha almejada por muitos (OAB). Os meus amigos de faculdade, que muito lutaram!

E digam o que quiserem... que “nos achamos”, que somos arrogantes, que somos insuportáveis... Nós sabemos, somos uma parcela favorecida da população e por isso nos vangloriamos tanto.
UM BRINDE!!! Aos honestos detentores e conhecedores da LEI! Aos que questionam, exercem, e brigam por seus direitos e pelos direitos dos outros! Mais do que ADVOGADOS... CIDADÃOS!
Ariane Aleixo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Salve a nossa criativa língua portuguesa...


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente,cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Ariane Aleixo

OBS: texto elaborado por uma aluna da Universidade Federal de Pernambuco, porém não recebi o nome dela, se alguém souber, envie-me por favor.